Posts tagged ‘tolerância’

usos

 

Tem crentes que ouvem música secular. Eles chamam os que não ouvem de bitolados. Em resposta, são chamados de carnais.
Tem crente que não corta o cabelo.  Tem mulher que só usa saia e homem que não vê TV. E tem um monte de crente torcendo o nariz para eles.

Nós, cristãos, discutimos tanto esse tipo de coisa. Usamos todo o nosso conhecimento teológico, toda a nossa hermenêutica para investigar quem é mais livre no Espírito ou quem é mais devoto a Deus.

Afinal de contas, o que nos importa ter razão? Se um dia chegássemos a provar quem está certo, não há garantia de que os demais abandonariam as práticas que geraram discórdia entre nós. Isto porque, em muitos casos, esses hábitos estão sob o poder da sincera vontade de agradar a Deus. Sendo assim, são costumes que ganham um significado além da razão para os seus praticantes. Um significado do coração.

Isso não é loucura alguma. Pode ser fruto de conhecimento empírico. Só quem faz algo de todo o coração para se aproximar de Deus sabe qual é o resultado da empreitada. O que quero expressar é que Deus não é legalista como nós.

Alguns usos religiosos podem ser desnecessários, irracionais, nada mais que frutos de erros teológicos. Mas será que o fator equívoco importa tanto para Deus quanto para nossa racionalização? Se o Senhor for julgar essas atitudes, não é certo que vai avaliar a pureza das nossas motivações antes de questionar se nossa justificativas são razoáveis (I Samuel 16:07)?

Creio que vale mais um sacrifício desnecessário para agradar a Deus do que uma discussão desnecessária para satisfazer a ciência. Por mais que nosso Senhor nos apresente uma doutrina certa e inegociável, o Espírito de Deus não Se relaciona da mesma forma com todos.

Cada um deve saber, da parte dele, o que deve fazer e evitar, mesmo que estas coisas não sejam comuns a mais ninguém.

Eu não defendo hábitos dos quais o Senhor quer nos libertar. Acho válido, porém, dizer que muita coisa que poderia ser dita “correta” é feita com um coração religioso. E muita coisa que poderia ser dita “religiosa” é feita com um coração correto.

22/04/2010 at 22:58 9 comentários

raposinhas

 

Existe um tipo santo de revolta.
          Não acho que devemos silenciar ante a loucura que alguns chamam de Evangelho. Temos que protestar, devemos até denunciar quem se desvie da Palavra de Deus vitimando a fé genuína. Mas isso demanda muito cuidado.
          Irmãos, tenho visto alguns se manifestarem contra heresias e maus testemunhos com legitimidade, mas de modo questionável. Usamos sarcasmo, desnudamos com palavras. Como podemos esperar reação positiva? Pode maldade aplacar a maldade?
          No capítulo quatro de Salmos, vemos o seguinte: “Irai-vos e não pequeis”. Uma passagem bem conhecida. Mas poucos sabem que este capítulo enfoca o descanso em Deus. A sequência do trecho acima é: “consultai no travesseiro o coração e sossegai”.
         A primeira coisa que podemos fazer ao sermos tomados por indignação é expressar tudo o que pensamos. Escrever as acusações mais cabeludas nos nossos blogs e ter a aprovação de muitos. Mas isso pode ser apenas a lamentável construção de críticas cheias de teologia e vazias de Amor.
         Olhando para o Salmo quatro, vemos uma segunda opção. Acalmar nossa alma e voltar ao nosso lugar de repouso em Deus.
         A Palavra do Senhor não é instrumento dos justos para “apedrejamento verbal” dos impuros. A comparação mais honesta entre uma pessoa santa e outra má provaria que ambas são a mesma coisa: um pecador a quem a graça se estende sem distinção. O mero atrito entre nossas teologias, opiniões e comportamentos não pode nos levar longe.
         Para concluir, o texto-base desta reflexão segue assim: “Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? SENHOR, exalta sobre nós a luz do Teu rosto”!
         Devemos mesmo expor a corrupção e zelar pela Verdade. Mas sem esquecer que Deus é Amor. Não é nossa revolta que mostrará o caminho certo, e sim o brilho do rosto de Jesus. Esforços humanos não podem gerar mudança nos nossos próximos. Mas se nós pudermos revelar Deus a eles, faremos toda a diferença. 
Nós podemos derramar Luz sobre nossos irmãos!

28/03/2010 at 21:47 5 comentários

foco

Certamente pode haver diferenças entre duas pessoas que justifiquem um distanciamento entre elas. Mas podemos encontrar uma causa justa para não amar o próximo?
      Sempre que encaramos dificuldades para amar alguém, colocamos a culpa nele. São os seus defeitos que o tornam “não tão amável”.
      Você e eu devemos ter conhecido alguém que não conseguíamos amar, mas que vivia um casamento muito feliz com uma pessoa disposta a passar a vida toda com ele. Se há quem consiga amar aquele que não amamos por causa de um defeito “inaceitável”, como podemos culpar essa falha pela nossa incapacidade de amá-lo?
      Acredito que, às vezes, amar uma pessoa começa com dar menos atenção a seus defeitos. Admitir que, ao ter alguém uma falha que detestemos particularmente, ele não adquire mais falhas do que nós. Nossa aversão às características de alguém não é parâmetro para definir que as nossas características sejam mais toleráveis que as dos outros.
      Provavelmente, se olharmos bem para nossos próprios defeitos, vamos perceber que podemos ser pouco amáveis na opinião de muita gente. E, mesmo assim, estamos cercados de pessoas que nos amam.
      Relevar as coisas de que não gostamos nos nossos próximos pode ser um bom exercício de negação do ego, e pode esmurrar nossas intolerâncias. Muitas coisas são feitas em nós pelo Espírito Santo. Mas, embora para toda boa obra precisemos d’Ele, algumas coisas só  mudam a partir de nossas decisões de mudar e de nossas disposições mentais.
      Gostaria que a gente decidisse tolerar as pessoas que não são como nós ou como gostaríamos que fossem. Queria que, só porque nosso modo de agir nos parece mais apropriado do que o de outra pessoa, não pensássemos que nosso jeito é o correto. Convido em Jesus, todos nós, a amarmos uns aos outros como Ele nos amou: exatamente como somos, com tudo que O desagrada.
       Achei uma frase no twitter que tem tudo a ver com isso, do escritor Brennan Manning: ”Deus está nos amando – a mim e a você – neste exato momento, assim como somos, e não como deveríamos ser”.
Gaças a Deus por isso.

22/12/2009 at 2:52 5 comentários


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