Posts tagged ‘louvor e adoração’
a Vida
“Vida” é uma palavra misteriosa. Dos três nomes das portas do Tabernáculo, este deve ser o mais profundo.
Em geral, quando falamos de vida, nossa mente é levada muito além do sentido biológico que essa palavra tem. Pensamos em mais do que um corpo que respira, se alimenta e se reproduz.
Diferente de “caminho” e “verdade”, a palavra “vida” nos leva a imaginar algo mais profundo do que o corpo, as emoções e o raciocínio. Somos levados à ideia de algo grande o bastante para resumir a existência em sua plenitude.
Ao olharmos para a terceira porta do Santuário, talvez esta seja a primeira mensagem que ela nos transmite: no Santo dos santos, habita a plenitude.
Vamos voltar às portas anteriores, por um momento.
“O Caminho” nos remente ao corpo, e “A Verdade” nos remete à alma. Mas a presença de Deus não estava manifesta atrás de nenhuma dessas portas. Quem passasse apenas pelo Átrio e pelo Lugar Santo ainda não teria experimentado o que realmente significa estar vivo!
Em outras palavras, qualquer um se sentirá bem ao desfrutar de saúde física e emocional. Mas plenitude espiritual, propósito, isso só se encontra na presença de Deus!
A porta chamada A Vida nos diz que, antes de entrar no Santo dos santos, ninguém sabe, de fato, o que é viver. Antes de termos um contato real com Deus, tudo o que conhecemos é uma percepção física e emocional da vida, um vislumbre muito superficial do que ela realmente é.
Por fim, antes de termos um encontro pessoal com Deus, nós estamos mortos. Só há vida ali, no centro da revelação do Pai, onde a experiência de viver transcende tudo o que nós pensávamos ser real.
Ao passar pela terceira porta, descobrimos a resposta para o anseio da Humanidade; descobrimos o sentido da vida. Nós existimos para conviver com Deus; para conhecê-lO e sermos conhecidos por Ele.
A linda mensagem final do Tabernáculo é esta: Deus é vida. Viver é conhecer a Deus!
[Photo: Lars van de Goor - www.flickr.com/larsvandegoor]
a Verdade
Antes de entrar no Santo dos santos, era preciso passar pelo Lugar Santo. A porta desse ambiente se chamava A Verdade.
A primeira coisa que podemos observar acerca dela é o lindo contraste que há entre o seu nome e o da primeira porta do Tabernáculo.
“O Caminho” é um nome que nos remete a algo físico. Caminhar é algo próprio do corpo. E, realmente, o Átrio envolve a parte mais superficial do nosso ser. É aí, no meio do louvor, que encontramos mais lugar para dançar, pular, gritar e aplaudir.
A palavra “verdade”, por sua vez, carrega um grande peso. Ela é muito mais ampla do que “caminho”, e nos remete a algo abstrato. Logo, fica fácil entender que o Lugar Santo vai mexer com uma parte de nós mais íntima do que o corpo: a alma.
A Palavra de Deus nos ensina que nossa entrega a Ele deve envolver espírito, corpo e alma, sendo esta última o jardim que abriga nossos sentimentos, desejos e pensamentos. Por isso, podemos dizer que passar pela Verdade consiste em buscar a Deus com emoção, anelo e consciência.
Atravessar a segunda porta do Santuário é ir além das práticas mecânicas. Pode até ser que alguém consiga se divertir no Átrio sem se envolver espiritualmente com ele. Batendo palmas e sorrindo, qualquer um convence a si mesmo e até aos que estão à sua volta de que fez a coisa certa durante o louvor.
Mas o Lugar Santo não é o lugar do visível. Não é o corpo que se manifesta ali, mas a verdade. Nesse ambiente precioso, não podemos enganar nem a nós mesmos.
Isso transmite alguma ideia de insegurança e poderia deixar alguém receoso. Mas aqueles que querem avançar no relacionamento com Deus se lançam através da Segunda Porta com toda fé. Eles sabem que o Espírito Santo nos mostra nossas falhas para nos tornar mais agradáveis ao Pai.
Enquanto Jesus andou na Terra, muitas pessoas se aproximaram d’Ele. A maioria delas era recebida com muito amor e compaixão.
Mas algumas passagens do NT nos mostram homens que não conseguiram se achegar muito a Jesus, por resistência d’Ele mesmo. Você tem um palpite de quem eram esses homens?
Eram os hipócritas. Os falsos, os mentirosos. A porta chamada A Verdade nos anuncia exatamente isso: ninguém se aproxima de Deus se não for íntegro para com Ele.
O Lugar Santo é uma confortável sala de estar onde Deus nos espera para uma conversa sincera. Ali, antes de sabermos se seremos ou não levados às intimidades do Rei, Ele nos interroga e mostra quem somos de verdade.
Existe dor nessa sala. Mas não precisamos temê-la. Depois de toda confissão de pecados íntimos, depois do desgaste de termos a terra do nosso coração revolvida para ficarmos limpos das ervas daninhas, o Pai nos leva à Mesa dos Pães. Ele nos alimenta de Jesus. Cheios d’Ele, cheios da própria Verdade, estamos prontos para entrar no lugar de maior santidade que existe.
[A foto desde post foi enviada por uma das leitoras do blog, a Priscila.]
o Caminho
No Tabernáculo de Moisés, o nome da porta do Átrio era O Caminho. Esse era o ambiente que abrigava o louvor.
Uma vez que o modelo de culto que encontramos na maioria de nossas igrejas se baseia naquele templo, consideramos que nosso Átrio de hoje são os momentos em que temos comunhão, muita festa, moveres proféticos, e liberações de bênçãos.
Mas você já deve ter ouvido que a glória de Deus não se manifestava ali, no primeiro ambiente do Tabernáculo. Ela só descia ao Santo dos santos. Assim, entendemos que Deus está presente em meio ao nosso louvor, mas Sua mais profunda e íntima revelação está reservada para mais adiante.
O período de celebração é muito importante num culto. Mas o padrão do Tabernáculo nos mostra que, quando nos encontramos nesse momento, apenas acabamos de entrar no Caminho. Deus tem muito mais para nós!
Imagino que você já tenha orado assim, alguma vez: “Senhor, eu não busco apenas Tuas mãos. Quero Tua face”.
Seguindo com o raciocínio que estamos tecendo, essa oração seria quase como dizer: “Pai, neste culto, eu quero passar pelo Átrio, mas quero ir além”. Basicamente, o Átrio é o lugar das mãos do Senhor.
Observe como, no louvor, lembramos de tudo o que Deus tem feito por nós! Estamos olhando para Suas lindas e poderosas mãos. Mas o que isso gera em nós? Uma vontade de correr em Sua direção! O que as mãos d’Ele nos dão é apenas o princípio de Sua revelação. Elas demarcam O Caminho para o Seu rosto.
Ninguém pode dizer que não precisa do Átrio. Todos nós chegamos a Cristo por causa de Suas mãos feridas que nos deram a salvação. E, agora, mesmo diante do véu rasgado, geralmente é bem mais fácil chegar ao Santo dos santos se passamos pelo Caminho. O louvor nos traz à memória os feitos de Deus, que nos remetem aos atributos d’Ele. Sem o Átrio, vislumbrar as características altíssimas do Senhor nem sempre é muito fácil para nossas mentes limitadas.
O que estou tentando dizer é que devemos amar o Átrio. Mas o nosso culto não deve parar aí. Ele não deve se tratar apenas de saltos, gritos e bênçãos. Por que, por mais que o Átrio nos abençoe e nos faça sentir bem, ele não é a essência do Tabernáculo. A essência do Santuário é o contato entre Deus e o homem.
Quando estivermos em nossos períodos de louvor, acredito que devemos ter algo em mente: “Estamos no Caminho para o que mais importa”. É bom conhecer a Deus pelo que Ele pode nos dar. Mas é muito melhor trilhar todo o percurso em direção a um conhecimento mais profundo de Deus – a Sua manifestação!
No próximo texto, vamos falar da porta do Lugar Santo, chamada A Verdade.
Se quiser ler mais acerca da importância do Átrio, é só clicar aqui para ser encaminhado para um texto mais antigo que escrevi sobre o assunto.
Deus abençoe você!
[Photo: Janelle Bradshaw - www.flickr.com/74361165@N00]
átrio
Hoje, vou falar do Átrio.
Sei que ansiamos pelo Santo dos santos. Mas falo desse outro lugar por um motivo. Ao descobrir que a Sala da Arca é o melhor lugar de todos, alguns de nós acabam dando as costas ao restante do Tabernáculo.
Creio que não é por mal. Queremos chegar logo aonde a glória está, porque a amamos! Mas, às vezes, comentemos um engano terrível: o de menosprezar a alegria do Átrio.
Irmãos, não podemos esquecer que, na sala da Arca, não existe uma porta dos fundos para quem não se sente confortável no Átrio.
Deus nos quer sempre no lugar de intimidade. Mas nunca chegará o dia em que Ele dirá “Vocês não precisam mais do louvor”. O caminho para a intimidade sempre vai incluir o Átrio.
Sei como é entrar na igreja desejando apenas deitar aos pés de Jesus e chorar. Em meio a lutas e falhas, eu muitas vezes não quis louvar. Se no Átrio eu teria que mexer o corpo, no Santo dos santos, poderia só me prostrar.
Estamos transformando um gesto de rendição numa posição de conforto; o lugar da intimidade num lugar de auto-satisfação. Olhamos para o Tabernáculo que Deus criou e julgamos qual parte dele nos é mais conveniente.
Irmãos amados, se o lugar onde deveríamos estar mais rendidos se tornar o lugar onde nossa carne mais se acomoda, estaremos corrompendo a essência da adoração.
Muitas vezes, negamos o Átrio argumentando que a rendição verdadeira está no Santo dos santos. Mas, na realidade, não queremos o Átrio porque se alegrar em meio às dificuldades exige muita fé e muito sacrifício. Erguer as mãos quando se está cansado, dançar sem saber, pular na frente dos outros, isso demanda muita morte da carne.
Irmãos, o louvor pode ser uma experiência poderosíssima. De fato, há muito mais poder em louvarmos movidos por fé, do que em nos prostramos movidos pelo conforto.
O Tabernáculo não se trata de nós. Ele é sobre Jesus. Se seguirmos Seu modelo, Ele vai estar nos esperando depois das três portas – O Caminho, A Verdade e A Vida.
Encontre-nos, Senhor!
adoração
Talvez, algumas pessoas achem estranho e até pequeno que sua existência seja baseada em adorar a Deus.
Alguns poderiam interpretar isso erroneamente, como se Deus pudesse ser algum narcisista. Outros aceitam a ideia de viver para Sua glória simplesmente porque Deus é Deus ou porque faz muitas coisas boas.
Mas Jesus veio ao mundo. Mostrou que Deus não é um egocêntrico. Que Ele realmente é Deus e faz tudo que é bom, mas que também é desapegado de glória. Jesus ofuscou os argumentos acima com Sua imensa Luz.
A adoração é um exercício de profunda rendição. Agora, pense nisso: render-se, de corpo, alma e espírito, devotar-se, entregar-se sem reter nada. Como alguém fica tão pequeno diante de outra pessoa e se sente feliz e satisfeito?
Creio que, em sua manifestação mais sublime, a adoração é a maior expressão de amor que alguém pode oferecer. Você entende que o que tem para dar não é muito, diante de Deus. Entende que Ele não busca e não precisa de honra. Mas, simplesmente, você quer honrá-lo! Ele sabe da sua gratidão pelas obras d’Ele, mas você quer mostrar isso! Você não se importa se alguém está vendo, se você está sozinho… Você só quer que Ele veja que você O ama!
Então, entendemos o porque de sermos criados para adorar. A Bíblia diz que, se alguém ama a Deus, este é conhecido por Ele (I Co. 8:03). E, na adoração, damos a Ele o maior amor que podemos. Entregamos nossa intimidade. Somos conhecidos por Ele!
A Palavra também diz que Deus habita no meio do louvor. E é neste momento que Deus nos responde a devoção – Ele Se revela a nós. Nós podemos conhecê-lO também!
Nós nos revelamos a Ele na adoração porque O amamos. E Ele Se revela a nós na adoração porque nos ama! É por isso que Ele nos cria para o louvor de Sua glória: porque, na adoração, Ele pode cumprir Seu maior desejo, que é Se revelar a nós!
Não há mais mistério em existir para a glória de Deus. Agora, por meio do Espírito Santo, sabemos que isso significa algo bem simples:
Você existe pra amar. Você nasceu para ser amado!




