Posts tagged ‘justiça própria’

a linda humilhação (parte final)

 

* Olá, leitor! Este texto é continuação de outro e não é completo sozinho. Se você ainda não fez isso, recomendo que, antes de ler esta postagem, confira o texto publicado anteriormente, chamado A Linda Humilhação (Parte um). Está logo abaixo deste texto. Depois, deixe um comentário dizendo do que você mais gostou. Um sorriso e um abraço!

O rapaz chegou à exaustão. Seus gritos eram carregados pela ventania, parecendo desaparecer antes de se fazerem ouvir. Ele empenhava cada vez mais energia contra o vento, sem, contudo, poder vencê-lo.
       Finalmente, sentiu seu sangue sumir do rosto. Atingira o limite de suas forças. Percebendo que ia desmaiar, olhou com súplica para o rosto do Rei e disse a última palavra que conseguiu orar. “Pai…!”
        O corpo do garoto desfaleceu e foi em direção ao chão. Mas, antes que o tocasse, alguém o sustentou.
        No mesmo instante, parou de ventar. A tempestade de raios cessou. A pessoa que evitara a queda de Marcos estava, agora, carregando-o no colo.
        O rapaz sentia um perfume que nunca tinha experimentado. Quando suas forças começaram a voltar, abriu os olhos para ver quem o estava ajudando e para onde o levava.
        Ainda sem poder se mover, tudo o que podia observar eram as mangas que cobriam os braços do Rei. Marcos percebeu que estava cuidadosamente aninhado no colo dele. Agora, porém, era possível enxergar as vestes do Homem com imensa nitidez.
        As extremidades das mangas eram dobradas para fora, revelando o forro de um tecido fino e delicado, de cor púrpura. Por cima, o manto era de um tecido grosso e macio, carmesim. Ele era coberto de magníficos bordados florais dourados. E, entre eles, também havia um título bordado: “Rei dos reis”.
        Marcos levantou um pouco os olhos para ver o caminho adiante. Justamente nessa hora, o Homem parou. Eles haviam chegado.
        Os olhos do rapaz se encheram de lágrimas. O Rei o carregara até a beira do topo de um monte, de onde se podia contemplar um imenso vale. Lá embaixo, uma grama alta e perfeitamente alinhada formava um pasto. Este, por sua vez, era cortado por um riacho que corria preguiçoso. As cores saltavam aos olhos como se tivessem vida própria.
        Imediatamente, Marcos se lembrou do primeiro texto bíblico que seu pai o fizera decorar, quando pequeno. Os pastos verdejantes e as águas tranquilas que ele imaginava ao ler Salmos não se comparavam aos que estavam diante dele, agora.
        Emocionado, o rapaz virou a cabeça tentando enxergar o rosto do Rei. Ainda era impossível, por causa do brilho que ele emanava. Mas, de alguma forma, todas as expressões dele podiam ser compreendidas.
        Marcos percebeu que o Homem sorria e que fez um sinal com a cabeça. Ele chamava a atenção do rapaz para algum detalhe em seu manto.
        Curioso, Marcos olhou para a região peitoral da vestimenta. Por baixo do manto carmesim, havia uma veste branca. O rapaz notou alguma coisa bordada nela, quase toda coberta pela capa de cima. Com os olhos, perguntou se era aquilo que o Rei apontava. O Homem sinalizou, com meiguice, que sim.
        Num gesto íntimo, cuidadoso e puro, Marcos puxou o manto carmesim um pouco para a direita, para ver o que diziam as letras que ele cobria. E o que encontrou foi outro título do Rei, também em dourado. O bordado dizia, simplesmente, “Papai”.
        Um êxtase inexplicável encheu o interior de Marcos, fazendo-o sentir-se extremamente feliz, amado e completo.
        Pensamentos e palavras de gratidão e elogio começaram a encher seu interior, e ele queria apenas demonstrar ao Rei todo o seu amor.
        Mas, antes que ele pudesse reagir, todo o ambiente foi tomado de uma luz crescente. Tudo clareou até que Marcos não pudesse ver mais nada. Repentinamente, toda a atmosfera mudou.
        Marcos abriu os olhos. Estava sozinho, em seu quarto, deitado sobre a cama. Mas, por mais que se esforçasse, ele não lembrava de ter se deitado.

[Photo: Ibai Acevedo - www.flickr.com/miabuelanoloentiende]

22/04/2011 at 2:10 8 comentários

a linda humilhação (parte um)

Ele não aguentava mais. Logo que chegou a sua casa, correu para o quarto, fechou a porta e se ajoelhou.
        Marcos já tinha tentado de tudo. Ele realmente se esforçava para as coisas melhorarem. Todavia, não enxergava resultados.
        Ajoelhado no quarto, ele chorava. Concentrado, colocava todas as suas forças naquela oração.
        Ele gritava, dava socos no chão, erguia os braços, se dobrava e levantava, numa enorme batalha.
        Marcos queria respostas. Gritava a Deus por elas, questionando o Seu agir. Parecia que tudo o que ele fazia era vão. Sentia que Deus não tinha visto todo o seu empenho durante os últimos anos e, pior que isso, não conseguia se livrar da sensação de que Ele não o ouvia nem mesmo naquele momento de imenso quebrantamento e desespero.
        Depois de esgotar suas perguntas e murmurações, dando continuidade àquele mesmo choro, começou a pedir perdão por não saber como orar e por qualquer outra coisa que estivesse fazendo de errado.
        Não era possível perceber qualquer sinal do favor de Deus. Marcos ainda se sentia abandonado e vazio. Mas decidiu crer.
        Nesse momento, ele começou a louvar. Ainda ajoelhado, já fraco e sem saber muito bem por que cantar, levantou a voz sufocada pelo choro e deixou que ela formasse uma melodia sincera e humilde. Ele cantava uma música que tinha aprendido com sua mãe, que dizia que o amor de Deus nunca muda e que nada pode nos separar dele.
        Foi então que Marcos foi surpreendido por uma visão. Uma luz, forte o bastante para fazê-lo perder a noção de onde estava, era tudo o que conseguia ver. Um vento fortíssimo vinha contra ele, quase o lançando ao chão.
        Conforme seus olhos se acostumavam à luz, ele foi conseguindo enxergar o que estava acontecendo.
        Marcos se via em pé, diante de um homem resplandecente, mais alto e mais forte que ele. Era difícil ver o rosto daquela pessoa, mas o rapaz tinha certeza de que a conhecia.
        Se esforçando para manter os olhos abertos em meio a tamanha claridade, Marcos podia ver que o homem usava uma coroa e um manto, que parecia ser um traje real. Era uma veste longa, aparentemente violeta e carmesim. Por baixo dela, outras peças que o Homem vestia, e que Marcos não poderia descrever, eram brancas e douradas.
        Daquela figura humana majestosa, saíam raios para todos os lados, com as mesmas cores de seu manto. Era difícil dizer se toda aquela energia saía das vestes ou se da pele do homem; mesmo porque ele, a luz, e as suas vestes pareciam ser uma coisa só, em constante movimento. Tudo o que Marcos podia ver se misturava, como densas porções de fumaça colorida dançando.
        Era bem diante do rapaz que o homem estava. Em pé e parado. Por mais que o rosto dele fosse indecifrável como o Sol, Marcos sabia que o homem o fitava diretamente nos olhos.
        De repente, percebeu que não era só luz que emergia do Rei. O vento que investia contra ele sem misericórdia também tinha suas fontes no homem. Marcos tentava correr os cinco passos que o separavam dele, mas não conseguia sair do lugar. Usava todas as suas forças, mas a ventania não permitia que ele avançasse nem um centímetro.
        O homem assistia ao sacrifício do rapaz sem se mover ou demonstrar qualquer emoção. Essa imparcialidade deixava o jovem cada vez mais perplexo ao imaginar que, talvez, o próprio Deus estivesse impedindo a sua aproximação.
        A confusão na mente de Marcos aumentava. Agora, sua luta física e psicológica era ainda mais intensa do que fora em seu quarto. Isso era totalmente diferente do que ele imaginou que aconteceria ao se encontrar com o Rei.
        Era difícil, para o jovem, entender o que sentia. Não sabia o que pensar. Estranhamente, apesar do aparente descaso do Rei, Marcos se sentia profundamente amado, pela primeira vez em muito tempo.

12/04/2011 at 18:18 4 comentários

sim

Você já deve ter sentido isso. Crê que Deus pode transformar sua vida. Mas, por algum motivo, não consegue acreditar que algo vai acontecer. Não é que Deus não vá fazer a parte d’Ele. É que você já repetiu tantas vezes o mesmo erro, que não consegue mais acreditar em si mesmo.
       Lembra do seu primeiro encontro com Jesus? Até Ele chegar, tudo o que a gente conhecia era o pecado. Se alguém nos dissesse que o plano d’Ele era abandonarmos todo o nosso estilo de vida, isso soaria completamente absurdo. Nós acharíamos impossível mudar tão radicalmente. Porém, quando Jesus chegou e nós dissemos “sim” a Ele, tudo se fez novo.
       Não é estranho? Não é estranho que, quando éramos muito piores do que hoje, inimigos de Deus, aceitamos sem medo a promessa de uma vida completamente nova e, hoje, quando somos filhos de Deus, duvidamos que as coisas possam ser diferentes?
       Preciso ser sincero com você. Descobri que, quando alguém diz que a vontade de Deus não vai acontecer por sua própria causa, está selando um atestado de que sua fé está em si mesmo, e não n’Ele. É como se essa pessoa dissesse: “Não adianta Deus querer mudar minha vida, porque só eu posso mudá-la”.
      Hoje, nossa oração deve ser esta: “Senhor, eu reconheço que não posso transformar meu viver. Salva-me, por favor”!
       Eu incentivo você a crer, de novo, em Jesus. Parar de depender de si mesmo. A acreditar que tudo pode ser diferente. Aceite, de novo, a promessa de uma nova vida que você não precisa conquistar. Uma nova vida que Deus te dá.

[Photo: www.fernandareali.blogspot.com]

14/11/2010 at 19:35 6 comentários

luta

Quase todo bom religioso carrega o mesmo fardo. Gastamos toda a nossa energia tentando ser amados por Deus.
       Nós todos recebemos, supostamente, o mesmo Evangelho. Quando será que a gente começou a batalhar para merecer alguma coisa?
       Vamos olhar para o dia em que Ele nos salvou. Ele Se apresentou tão Puro, tão Santo! Imediatamente, nós entendemos que éramos indignos d’Ele. Mas, sem Se importar com nossa sujeira, Ele nos abraçou com toda a força.
       Nós realmente nascemos de novo naquele dia. Mas parece que, depois de Deus ter nos abraçado, nos levantamos cheios de amor e gratidão por Jesus e, então, demos a nossa resposta: “Obrigado, Jesus! Eu quero Te seguir! E eu vou! Só, por favor, espere um pouco. Eu não posso ir como estou. Preciso descobrir como merecer tamanho privilégio, preciso me tornar alguém melhor para Te seguir.” 
       Demos as costas a Jesus, e passamos a seguir uma trilha montada estrategicamente pelo inimigo. Seguimos uma falsa estrada da perfeição. Fomos com a certeza de que ela nos levaria de volta a Jesus quando estivéssemos prontos. Agora, é natural que já não sintamos mais o Seu amor, embora ele ainda seja o mesmo: nós nos distanciamos d’Ele! 
       Estranhamente, estamos lutando para merecer o que Ele nos deu quando éramos ainda mais indignos que hoje. Num ciclo bizarro, estamos tentando ganhar à força o que Ele nos garantiu de graça.  
       Convido você a lembrar da Palavra de Deus que nos diz: “…Deus prova o Seu próprio Amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, tendo sido justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira” (Romanos 4.8,9).
       Você não precisa lutar para ser amado por Ele. Nem mesmo se está, agora, longe daquele lugar onde Ele te resgatou. A graça não mudou de ontem para hoje; ela não mudou em dois mil anos. Você só precisa abandonar a estrada da justiça própria e retornar ao Caminho, a Jesus.
Voltemos a viver no descanso do que não merecemos!

23/08/2010 at 19:51 5 comentários


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