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paz na turbulência
Faz muito tempo que a Patrícia, uma das leitoras do blog, pediu na página Tenho uma ideia, que eu escrevesse sobre fé. Depois de uma longa espera pela inspiração, aqui vai a resposta ao pedido, pela graça do Senhor. Lembrando que, sempre que você clica nos textos em verde aqui nos posts do blog, você é encaminhado a novos links que podem te interessar. Abraços!
Imagine que você empresta um alto valor em dinheiro a um colega, alguém não muito íntimo. Você vai precisar desse exato valor para pagar uma conta em breve. Se o pagamento dela atrasar, seu valor triplica. Para piorar, seu colega, ao tomar o dinheiro, diz que só pode devolvê-lo algumas horas antes da sua dívida estourar.
Qual seria o seu estado emocional enquanto esperasse pelo dinheiro? Você esperaria com tranquilidade?
É típico do ser humano ter dificuldade para esperar e descansar. Essas palavras parecem carregar um tom de incerteza e nós gostamos de estar seguros das coisas. De preferência, baseados em algo muito concreto.
Para a mente humana, não faz sentido descansar quando se está enfrentando um problema. A maioria de nós vincula a possibilidade de descanso a situações em que tudo esteja sob controle. Para o homem natural, a fé que a Bíblia ensina é realmente difícil de ser assimilada.
Ser cristão envolve acreditar em coisas que não podemos enxergar. Crer nas promessas de Deus frequentemente tem a ver com esperar pacientemente quando não se tem nenhuma garantia concreta nas mãos. Quem se dispõe a abandonar a sensação de estar no controle a esse ponto?
Esse tipo de disposição só existe em quem tem fé. Porque a fé não é uma resolução irracional. Não é um pensamento positivo para combater a dúvida. Não. A fé é uma garantia sobrenatural dada pelo próprio Deus – garantia de que Ele é o que diz ser, e faz o que promete fazer. Conforme a Bíblia nos ensina, a fé é certeza.
A fé não é, como pensam alguns, a justificativa dos tolos para acreditarem em algo que não podem provar. Como a Bíblia nos mostra, a fé é a prova das coisas que não vemos (Hebreus 11.1).
Frequentemente, a mente humana tentará rejeitar o que se possa chamar de garantia sobrenatural para tentar se apoiar em alguma garantia concreta. Talvez essa seja uma luta que todo crente deve enfrentar. E, afinal, como vencê-la?
A capacidade de descansar quando não se está no controle só pode ter uma origem. É uma experiência pessoal com a soberania e a bondade inabaláveis do Pai. Basicamente, descansa em Deus quem conhece a Deus.
Não existe certeza das promessas onde não existe, primeiramente, confiança naquele que prometeu. É por isso que o exemplo que vimos no começo do texto te apresenta em contato com alguém não muito próximo a você. Ele faz contraste com o que aprendemos num relacionamento pessoal com Deus, que te dará segurança de que alguém tão íntimo, tão bom, verdadeiro e fiel como Ele nunca vai te desamparar.
Não existe descanso fora da sensação de controle porque tudo na vida precisa estar sob algum comando para funcionar. Mas, Deus não te pede para abandonar o controle da sua vida e deixá-la desgovernada. Ele pede que você entregue o controle a Ele e descanse nele. Ter fé é descansar em Deus. Ele está desejoso e pronto para cuidar de você, e é o único que tem, de verdade, poder para isso.
Se alguém está montando um cavalo desenfreado, nunca soltará suas rédeas e se sentirá tranquilo. Mas você sabe que pode cavalgar numa paz que ultrapassa todo entendimento porque, quando você soltou as rédeas, deixou-as nas mãos de alguém que, sem dúvida nenhuma, vai guiar o galope melhor do que você: o Deus que te criou, criou o seu cavalo, e criou o pasto onde vocês correm.
Quando conhecemos a Deus, podemos confiar nele sem reservas. Assim, mesmo que tenhamos a sensação de perder o controle, teremos paz, porque entregamos toda a nossa vida à Pessoa em quem mais confiamos, e que mais nos ama.
E então? Pronto para sair do controle e descansar em Deus?
[Photo: Aaron Nace - http://www.flickr.com/aknacer]
você crê em Deus?
Sempre afirmei com facilidade que cria em Deus. Mas, recentemente, deixando o Espírito mexer dentro de mim, percebi que não creio como gostaria de crer.
“Será que eu creio em Deus?” Acho que a gente deveria se perguntar isso de vez em quando.
Para responder a essa pergunta, acredito que primeiro devemos considerar o que significa crer no Senhor. Biblicamente falando, não basta acreditar que Ele é Deus. O desejo do Pai é que creiamos n’Ele, na Pessoa d’Ele.
Eu entendo que crer em Deus consiste em não duvidar da Palavra d’Ele. Consiste em ter certeza de que Ele tem todos os atributos que a Bíblia diz que Ele tem, e que tais atributos são imutáveis.
Como Deus é, para você? Você acredita que Ele é bom, por exemplo?
No nosso dia-a-dia, nós duvidamos da bondade de Deus várias vezes. Se todos os motoristas resolvem nos atrapalhar no trânsito; se, apesar de fazermos coisas boas, ainda somos maltratados; se uma série de pequenas coisas começa a dar errado no nosso trabalho, nós somos rápidos para fazer uma estranha oração: “Puxa, Deus… O Senhor não me ajuda mesmo! Podia facilitar as coisas para mim de vez em quando”.
Como é que nós dizemos que cremos em Deus se acreditamos que as coisas dão errado por causa d’Ele? Se a gente crê em Deus, crê que Ele é bom, porque é isso que a Palavra d’Ele diz. E, se cremos que Ele é bom, não devíamos imaginar que Ele fosse capaz de nos ignorar ou de nos enviar provas além do que podemos suportar. Quem crê em Deus não deveria achar que Ele está o tempo todo nos testando para ver onde vamos cair.
A fé que muitos de nós estão acostumados a ter diz que Deus vai fazer com que tudo aconteça de um jeito que nos satisfaça. É claro que a Bíblia diz que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Mas eu não entendo que o texto signifique “Se você ama a Deus, tudo vai dar certo para você”. Entendo que ele quer dizer “Todas as coisas, até as ruins, vão te dar bons resultados, se você ama a Deus”.
Muitos de nós não crescemos mais porque achamos difícil demais sermos quebrados e moldados de novo. Que dirá ir para a fornalha! Achamos que nos quebrantar seria maldade da parte de Deus, porque limitamos a bondade d’Ele ao que nós achamos que seria bom para nós. Em outras palavras, duvidamos que o Senhor entenda melhor disso do que a gente.
Nosso pai, Abraão, cria de forma diferente. Ele cria que Deus era bom, mesmo se o mandasse assassinar seu filho. Daniel e seus amigos criam de forma diferente. Eles criam que, se Deus os livrasse da fornalha, Ele era bom. Mas, se Deus os deixasse serem lançados no fogo, Ele também era bom.
Percebe? A fé que a Bíblia nos ensina é a que crê nos atributos de Deus independentemente das circunstâncias que vivemos e das situações em que Ele nos coloca. A fé que Deus quer de nós é a que nos capacita a não duvidar de que Ele nos ama, mesmo quando tudo diz o contrário, quando nada é como gostaríamos que fosse.
Nesta conversa, nós só consideramos um atributo de Deus, que é a Sua bondade. Imagine de quantos mais nós duvidamos durante a nossa vida. Imagine quanto mais precisamos aprender a crer em nosso Deus Pai.
Se você não crê como deveria, vamos orar. Tudo o que é bom vem do Pai. Certamente, Ele não nos negará acréscimo à nossa fé. Deus te abençoe.
[Photo: Ibai Acevedo - www.flickr.com/miabuelanoloentiende]

