Archive for agosto, 2011
conversão
A pergunta “Quando foi que você se converteu?” sempre foi um enigma para mim.
Entreguei minha vida a Jesus quando era criança. Não tenho sequer certeza da idade que eu tinha quando o fiz pela primeira vez.
Conforme crescemos, passamos a conhecer novas coisas. E o que acontece quando se ganha muito conhecimento natural e pouco espiritual? Indo mais fundo, o que acontece quando conhecemos um monte de coisa, e não conhecemos Deus?
Com o passar dos anos, comecei a achar difícil me considerar um cristão. Eu tinha pouco do caráter de Deus em mim. E isso me levava a um sentimento de que eu nunca tinha nascido de novo. Talvez, todo crente passe por isso.
Num determinado momento, decidi que precisava ter certeza de que eu era mais do que um evangélico. Eu decidi que tinha que ser um filho de Deus, um amigo d’Ele. Então comecei a buscar por arrependimento genuíno, conversão, e mais a Deus.
Faz só quatro anos que eu sinto que estou caminhando, de fato, como um cristão. Foi quando passei a ter a sensação de que estou fazendo a minha parte pela minha salvação.
Mas sabe de uma coisa? Quando comecei a me tornar alguém melhor para Ele, pensei que não iria mais me sentir insatisfeito com o meu caráter. E isso não aconteceu. (Graças a Deus!)
Já me perturbei muitas vezes por isso. Ouvi outros milhares de vezes que eu não fui salvo. Mas a razão de todo este texto é que Deus está me ajudando a entender aquela linda “tristeza segundo Deus” de que falei em outro texto.
Hoje, eu sei que conhecer o Senhor sempre me deixará inconformado com meu caráter. Se isso não acontecer, eu não conheci a Deus de fato. Ou, no mínimo, estacionei em algum nível da revelação que Ele me deu.
Até que Cristo volte, temos uma natureza carnal caída. Nosso espírito foi feito de novo; mas todo o resto, sentimentos, pensamentos, desejos… Tudo isso está perdido sem o constante auxílio da graça de Deus.
Quanto mais nos aproximarmos da pessoa de Deus e Sua santidade, mais inconformados ficaremos com a nossa corrupção. E quanto mais luz for lançada no imenso porão da minha alma, mais claramente verei as coisas entulhadas ali.
Não faz só quatro anos que nasci de novo. Realmente, faz mais de quinze. E não faz só quatro anos que me converti. Eu venho me convertendo durante minha vida toda! E, talvez, o mesmo se aplique à sua realidade.
Você deve saber quando entregou sua vida a Jesus. Mas, conforme você cresce na fé, não sente uma enorme insatisfação quanto à sua natureza, de vez em quando?
Sabe, isso nem sempre vem de uma acusação maligna. Pode ser que a própria nova natureza em você confronte o seu cristianismo, já que o Espírito Santo habita em você e não gosta do que está errado em nós.
Deus me ajudou a vencer os pecados A, B e C. Mas hoje, quando vejo que o pecado D ainda está presente no meu dia-a-dia, eu o odeio muito mais do que odiava a presença de todo o alfabeto! Isso porque a santidade de Deus que cresce em nós será uma força cada vez mais dura contra o pecado.
Mesmo os nascidos de novo precisam viver em arrependimento. A verdade é que a conversão não é uma experiência de um dia. É a experiência de uma vida.
[Photo: Jason Lee - www.flickr.com/jwlphotography]
o Senhor me sonda
Pai.
É maravilhoso saber que o Senhor, em toda a Sua glória, se importe o bastante comigo para sondar o meu interior.
O Senhor conhece todos os meus pensamentos, desejos e emoções. E posso perceber o Espírito Santo se comunicando comigo sempre que me sinto no meio de um furacão. Sempre que me sinto sozinho, desamparado, Ele está perto e me dizendo “Estou aqui; não se preocupe”.
Deus, como Você é fascinante! Você seria incrível se não fosse mais real do que qualquer coisa que já vivi!
Conhecendo tão bem o meu interior, e sendo tão puro e justo como é, o Senhor teria todos os motivos para me julgar e condenar, sempre que olhasse para mim. Mas, quando Você me sonda, me diz que me entende e se oferece para me ajudar. O Senhor vem me justificar e inocentar.
Estar nos Seus braços, Pai, resume a minha existência.
Existem muitas coisas que eu quero fazer para o Senhor, e o Senhor sabe. Mas meu propósito não é qualquer coisa que eu possa fazer. Meu propósito é Você.
[Photo: Brent Pearson - www.flickr.com/brentbat]
a caderneta de luana
Vitor gostou de Luana desde que a conheceu. Havia algo de especial nela. Alguma coisa que ele nunca tinha visto em alguém.
Aquela quarta-feira seria só mais uma na vida de Vitor, não fosse por Luana.
Quando a aula terminou, a moça tomou o rapaz pelo braço, tentando levá-lo a algum lugar, dizendo que estava na hora da diversão. Embora quisesse rir do convite inusitado, Vitor interrompeu a marcha.
– Ei! Eu tenho que trabalhar. Lembra?
A garota, com ar travesso, fez um movimento com o nariz que dizia que o emprego do amigo não tinha nenhuma importância.
– Até onde eu sei, você tem certos privilégios no trabalho. Ninguém vai reclamar por você se atrasar por uma hora ou… quatro.
Até onde eu sei, Vitor tinha, mesmo, alguns privilégios. E, uma vez que depois da última declaração citada, Luana saiu correndo, o rapaz se viu compelido a acompanhá-la esbaforido.
Com a rapidez mágica do cinema, Vitor entrou num táxi onde viu Luana acenando para ele, tentou puxar assunto com o motorista, que pareceu não saber falar português, desembarcou num lugar onde parecia não haver nada, e seguiu sua amiga colina acima gritando para que ela fosse mais devagar, tendo como resposta apenas suas risadas e gritinhos de “Vamos, molenga”.
Os dois se sentaram num gramado verde, de onde podiam ver o sol se pondo no horizonte, além da cidade que eles pareciam poder enxergar por inteiro. Num momento de silêncio, Vitor deixou escapar um “Uau”.
Foi nesse instante que Luana tirou da bolsa uma caderneta com uma capa vintage, que devia ter comprado num brechó, e escreveu algo em suas páginas amarelas. Vitor achou lindo o objeto peculiar e perguntou se poderia vê-lo de perto. Luana disse “Normalmente, não deixo ninguém ler meu livro dourado, heim”, e colocou a caderneta nas mãos do amigo.
Foleando aquelas páginas com cheiro de Luana, o rapaz encontrou um monte de palavras e frases que pareciam aleatórias, escritas com diferentes caligrafias e cores, numa grande bagunça. Algumas delas eram as seguintes.
A textura do tronco do ipê na Rua Treze. Marshmallow. O vestido florido da Mari. As cores pastéis dos prédios no Carioca. Um gato. O poste que deveria ter duas lâmpadas amarelas, mas teve um treco e ficou com uma verde. Buzinas ritmadas. Formigas. O dourado inexplicável no céu naquele domingo. Pistache. Asfalto imperfeito. O cheiro daquela loja. Vitor falou “Uau”.
– Ô Lu… Que que é tudo isso?
Sem tirar os olhos do sol poente, ela sorriu e respondeu.
– Eu anoto sempre que vejo Deus se mostrar pra mim em alguma coisa.
[Photo: Joep Roosen - www.flickr.com/joeproosen]


